Bom, a parte da chegada geralmente é fácil né? Pegar um ônibus, avião, uma carona... Carregar umas poucas malas, se mudar. Simples. Mas aparentemente nunca é assim comigo, o que torna as coisas mais “memoráveis” por assim dizer.
Enfim, dessa vez foi uma correria. Primeiro porque só cheguei em South Hadley pra pegar as minhas malas às 11h e o ônibus saía às 11:30. Eu estava na USAP Conference (que por sinal foi muuuuuuuuito boa – no que diz respeito em encontrar a galera, se divertir e tudo mais) em Brown University e nós só saimos de Providence às 9h da manhã. O timing foi perfeito, cheguei em Pearsons a tempo só de descer minhas malas (do quarto andar, diga-se de passagem) e falar com a Toula. A Toula por sinal é um anjo e levou o Eddie (pra quem não sabe, Eddie é o peixinho que eu estava cuidando), as plantas, uma caixa e um lustre que ainda estavam no meu quarto. Esperando pelo ônibus era uma visão incrível: A minha cara de sono (tinha dormido só duas horas, fiquei conversando com o pessoal até as 5 da manhã), blusa da University of Chicago (que o Bruno me deu :), meu all-star super sujo, uma mala do meu tamanho, outra mala menor, minha mochila guerreira, e duas bolsas. Ah, e claro, na mão, meu travesseiro e meu cobertor, que depois enfiei dentro da minha mochila.
Mas o importante é que eu estava no ônibus, certo? Claro que sim. Dormi um pouco, escutei as velhas músicas do meu MP3 que são praticamente as mesmas há uns dois anos e relaxei. Só pra preparar pra Nova York. Eu já estava perto, cada vez mais perto. Pouco antes das 4h chegamos em Port Authority. Agora ia ser fácil, só levar minhas malas até a porta do Terminal e pegar um táxi. Mas, claro que não foi simples assim. Primeiro, o elevador não estava funcionando. Eu pensei “Tudo bem, vou pela escada rolante, só tomar cuidado pra não deixar cair nada.” E tudo ficou no lugar, menos o meu travesseiro que foi subindo na minha frente, nos degraus que centenas, sei lá, milhares de pessoas pisam todo dia. Ainda bem que estava sem fronha. Mas quando eu chego ao primeiro andar, vejo que a escada rolante que leva ao segundo nível (onde fica a saída) está quebrada também. Ah maravilha. Ainda bem que não eram muitos degraus que separavam o primeiro e o segundo andar, mas mesmo assim, eu realmente tinha muita coisa. Nesse momento é que os nova iorquinos começaram a desmentir o esteréotipo do pessoal daqui. Um senhor que estava ao meu lado, pegando fôlego pra enfrentar os degraus que ainda iam por vir, se ofereceu pra me ajudar. Por mais que eu quisesse, tadinho, ele tinha duas malas grandes também e aparentemente não muita força. Recusei e falei pra ele não se preocupar, dava pra subir. E comecei a tentar a levar as coisas, o que não foi muito bem-sucedido, quando uma mulher e um rapaz me ajudaram a levar as minhas malas até o fim da escada. Acho que eles viram na minha cara, a expressão de “sem-força” e decidiram ajudar. Eu claro, fiquei mais do que feliz, agora era só pegar um táxi. Estava pronta pra fazer parada pra um, do jeito mais glamorouso possível, digno da Carrie do Sex and the City. Claro que com duas malas, três bolsas e um travesseiro isso não foi possível.
Logo que sai do terminal de ônibus, me deparei com uma mega construção naquele lado da rua, ou seja, nenhum carro estava passando exatamente em frente de Port Authority. Então, só me restava ir para o ladinho e fazer sinal para um táxi. Felizmente, assim que virei a rua, um passageiro estava saindo de um táxi que tinha acabado de estacionar. Dei uma corridinha (se isso era possível) e perguntei se ele estava livre. Ele então me perguntou se eu estava indo Leste ou Oeste. Eu tinha o endereço na minha bolsa e não de cabeça, eu lá sabia se eu ia Leste ou Oeste... Então falei que estava indo pra rua 76, mas acho que ele não entendeu o que eu estava dizendo e falou: “Ok, ok, just come” Ele pos minhas malas no porta-mala e disparamos. Depois ele me explicou que podia pegar uma multa por estar estacionado ali, por isso estava tão apressado. Dei o endereço certinho pra ele – eu estava indo pra 76 Oeste – seguimos em frente.
Posso dizer que o trânsito de Nova York é louco. LOUCO. E o taxista dirigia mais loucamente ainda. Ele parecia um motoboy, sabe aqueles que sai cortando todo mundo? Poisé, mas ao invés de moto, o cara tinha um carro e eu estava dentro. Devo dizer que gostei do jeito que ele dirigia, era divertido =)
Conversei um pouco com ele, não lembro o nome dele agora, mas era algo com O. Ele percebeu que eu não era daqui (nem um pouco óbvio) e perguntou de onde eu era. Conselho, a frase “I’m Brazilian” é mágica. Devo dizer que todas as pessoas até agora que eu disse isso abrem um sorrisão pra mim e ficam super animadas. Então, meu amigo taxista do Marrocos ficou felizão e começou a falar como ele ama o Brasil e o futebol do Brasil claro. Falou que uma vez ele ficou acordado a noite toda só pra ver um amistoso entre Brasil e Marrocos. Falou que gostava da época que o Ronaldo era bom. Eu falei que o Ronaldo estava gordo e de volta ao Brasil. Ele respondeu pra mim “Yes, he is playing in Corinthians right now, right?” Eu falei que sim e que ele tinha até ganho o campeonato estadual nesse time. Falamos um pouco mais de futebol e coisas relacionadas ao Brasil e à Nova York. Meu amigo taxista do Marrocos comentou que meu inglês era muito bom, que nem parecia que eu estava nos Estados Unidos somente há um ano. Ele comentou que quando veio pra cá, morou primeiro em Boston por dois anos e depois Nova York, agora já três anos e meio aqui. Ele disse que sempre volta no final do ano pra casa, o que comprovou pra mim que taxistas ganham bem. Fora que de tempo em tempo ele repetia “You know, I really, really love Brazil, someday I’ll go there.” Espero que um dia ele vá.
Logo chegamos ao prédio da Poulabi, e a corrida deu barata. Dei uma gorgeta pra ele, só porque estava me sentindo feliz (minhas gorgetas variam com meu humor) e fui recebida pelo Victor, o porteiro do prédio da Poulabi. Victor foi super gente boa e me ajudou a trazer as minhas malas pro elevador (Sim, finalmente!!!). Ele perguntou se eu era da Índia (a Poulabi é da Índia) e eu falei que não, que era do Brasil. Novamente, a frase mágica funcionou e ele abriu um super sorriso e falou: “Ah, que bom!” Conversei um pouco com ele, Victor é da República Dominicana e falamos em Espanhol. Ele sabe palavrinhas de cada idioma, Chinês, Japonês, Italiano e aí vai. Ele foi muito prestativo e disse que era muito bom que eu falasse espanhol, já que muita gente aqui em Nova York fala espanhol. Finalmente subi e encontrei com a Poulabi. Ela estava me esperando e me ajudou a arrumar minhas coisas aqui no apartamento dela.
A Poulabi tem sido um amor, mas conto mais sobre isso depois...
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aaai meniina babado e um pouquinho de confunsão ein hauhahau
ReplyDeletebeeijo liiiu